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domingo, 2 de março de 2008

o mito de Narciso


Narciso era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope, e era um jovem de extrema beleza. Porém, à despeito da cobiça que despertava nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecedora do seu amor. E foi justamente este desprezo que devotava às jovens a sua perdição. Pois havia uma bela ninfa, Eco, amante dos bosques e dos montes, companheira favorita de Diana em suas caçadas.Mas Eco tinha um grande defeito: falava demais, e tinha o costume de dar sempre a última palavra em qualquer conversa da qual participava. Um dia Hera, desconfiada - com razão - que seu marido estava divertindo-se com as ninfas, saiu em sua procura. Eco usou sua conversa para entreter a deusa enquanto suas amigas ninfas se escondiam. Hera, percebendo a artimanha da ninfa, condenou-a a não mais poder falar uma só palavra por sua iniciativa, a não ser responder quando interpelada. Assim a ninfa passeava por um bosque quando viu Narciso que perseguia a caça pela montanha. Como era belo o jovem, e como era forte a paixão que a assaltou! Seguiu-lhe os passos e quis dirigir-lhe a palavra, falar o quanto ela o queria... Mas não era possível - era preciso esperar que ele falasse primeiro para então responder-lhe. Distraída pelos seus pensamentos, não percebeu que o jovem dela se aproximara. Tentou se esconder rapidamente, mas Narciso ouviu o barulho e caminhou em sua direção: - Há alguém aqui? - Aqui! - respondeu Eco. - Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Queria saber quem estava se escondendo dele, e quemera a dona daquela voz tão bonita. - Vem - gritou. - Vem! - respondeu Eco. - Por que foges de mim? - Por que foges de mim? - Eu não fujo! Vem, vamos nos juntar! - Juntar! - a donzela não podia conter sua felicidade ao correr em direção do amado que fizera tal convite. Narciso, vendo a ninfa que corria em sua direção, gritou: - Afasta-te! Prefiro morrer do que te deixar me possuir! - Me possuir... - disse Eco. Foi terrível o que se passou. Narciso fugiu, e a ninfa, envergonhada, correu para se esconder no recesso dos bosques. Daquele dia em diante, passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. Evitava o contato com os outros seres, e não se alimentava mais. Com o pesar, seu corpo foi definhando, até que suas carnes desapareceram completamente. Seus ossos se transformaram em rocha. Nada restou além da sua voz. Eco, porém, continua a responder a todos que a chamem, e conserva seu costume de dizer sempre a última palavra. Não foi em vão o sofrimento da ninfa, pois do alto, do Olimpo, Nêmesis vira tudo o que se passou. Como punição, condenou Narciso a um triste fim, que não demorou muito a ocorrer. Havia, não muito longe dali, uma fonte clara, de águas como prata. Os pastores não levavam para lá seu rebanho, nem cabras ou qualquer outro animal a freqüentava. Não era tampouco enfeada por folhas ou por galhos caídos de árvores. Era linda, cercada de uma relvaviçosa, e abrigada do sol por rochedos que a cercavam. Ali chegou um dia Narciso, fatigado da caça, e sentindo muito calor e muita sede. Narciso debruçou sobre a fonte para banhar-se e viu, surpreso,uma bela figura que o olhava de dentro da fonte. "Com certeza é algum espírito das águas que habita esta fonte. E como é belo!", disse, admirando os olhos brilhantes, os cabelos anelados como os de Apolo, o rosto oval e o pescoço de marfim do ser. Apaixonou-se pelo aspecto saudável e pela beleza daquele ser que, de dentro da fonte, retribuía o seu olhar. Não podia mais se conter. Baixou o rosto para beijar o ser, e enfiou os braços na fonte para abraça-lo. Porém, ao contato de seus braços com a água da fonte, o ser sumiu para voltar depois de alguns instantes, tão belo quanto antes. - Porque me desprezas, bela criatura? E por que foges ao meu contato? Meu rosto não deve causar-te repulsa, pois as ninfas me amam, e tu mesmo não me olhas com indiferença. Quando sorrio, também tu sorris, e responde com acenos aos meus acenos. Mas quando estendo os braços, fazes o mesmo para então sumires ao meu contato. Suas lágrimas caíram na água, turvando a imagem. E, ao vê-la partir, Narciso exclamou: - Fica, peço-te, fica! Se não posso tocar-te, deixe-me pelo menos admirar-te. Assim Narciso ficou por dias a admirar sua própria imagem na fonte, esquecido de alimento e de água, seu corpo definhando.... Assim o jovem morreu. As ninfas choraram seu triste destino...No lugar onde faleceu, entretanto, as ninfas encontraram apenas uma flor roxa, rodeada de folhas brancas. E, em memória do jovem Narciso, aquela flor passou a ser conhecida pelo seu nome.

ECO



Um filho e seu pai caminhavam pelas montanhas. De repente, seu filho cai, se machuca e grita: - Ai! Para sua surpresa, escuta uma voz que repete, em algum lugar da montanha: - Ai!

Curioso, pergunta: - quem és? Recebe como resposta: - quem és?

Contrariado, grita: - não te escondas e mostra a cara! e escuta a resposta:

- não te escondas e mostra a cara!

O pai sorriu e lhe disse: - filho, presta atenção. Então ele grita: - és um campeão! A voz responde: és um campeão!

O menino fica surpreso e não entende. Então lhe explica o pai:

- As pessoas chamam a isso "eco", porém é mais que isso. Na realidade, isso é a vida. Ela dá de regresso tudo o que tu dizes ou fazes. Nossa vida é um reflexo de nossas ações. Se queres mais amor no mundo, cria mais amor em teu coração. Se queres mais capacidade em tua equipe, desenvolva sua capacidade. Tua vida não é uma coincidência, e sim uma conseqüência de ti mesmo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


Calisto

Calisto, na mitologia grega, teria sido uma bela jovem, que deu origem à constelação da Ursa Maior.

Mito: Calisto provocava ciúme em Hera, pois sua beleza cativara seu marido, Zeus.
Hera então castigou-a transformando-a num urso.
Calisto, no entanto, tentava ao máximo lutar contra seu destino mantendo-se o mais ereta possível,
tentando assim conquistar a piedade dos deuses.
Mas a indiferença de Zeus a fazia crer ser este deus cruel, apesar de nada poder dizer,
pois agora só sabia rugir.

Sua vida agora era de medo.
Tinha medo dos caçadores que rodeavam sua antiga casa, pois tinha sido ela também uma caçadora.
Temia as noites que passava sozinha.
Temia as feras, mesmo que agora ela mesma fosse uma.

Um dia, no entanto, em uma de suas caminhadas pelo bosque,
reconheceu seu filho, Arcas, agora um homem, um caçador.
Calisto, mesmo assim, quis abraçá-lo e, ao aproximar-se,
provocou o medo do filho que lhe ergueu a lança e,
quando estava para deferir o golpe, Zeus, compadecido com o trágico acontecimento que estava por vir,
afastou os dois colocando-os no céu.
Calisto transformou-se na Ursa Maior e Arcas em Arctofilax, a Ursa Menor, o guardião da ursa.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008


A Ninfa Eco

Segundo Ovídio, Zeus havia usado do dom da fala de Eco para distrair a esposa, a fim de continuar seu adultério.
Hera logo descobriu o ardil e condenou-a a para sempre repetir
apenas as últimas palavras das frases que os outros diziam (ecolalia).
A ninfa perdia assim seu mais precioso dom, aquilo que mais amava.

Eco e Narciso, por Waterhouse Enquanto vagava em seu sofrimento,
noutra parte havia um homem chamado Narciso.
Era ele tão belo que mulheres e homens ao verem-no logo se apaixonavam.
Mas Narciso, que parecia não ter coração, não correspondia a ninguém.

Certo dia, vagando Eco pelos bosques,
encontrou o belo mancebo por quem, clarou, caiu de amores.
Como não podia falar-lhe, limitou-se a segui-lo, sem ser vista.

O jovem, porém, estando perdido no caminho, perguntou:
"Tem alguém aqui?"

Ao que obteve apenas a resposta: "Aqui, aqui, aqui...".

Narciso intimou a quem respondia para sair do esconderijo.
Eco apareceu-lhe e, como não podia falar,
usou as mãos para em gestos dizer do grande amor que lhe devotava.
Narciso, chateado com a quantidade de pessoas a amarem-no, rejeitou também à bela ninfa.

A pobre Eco, tomada de desgosto, rezou para que Afrodite lhe tirasse a vida.
A deusa, entretanto, tanto gostou daquela voz, que deixou-a viver.

Segundo Ovídio narra, um rapaz apaixonou-se depois por Narciso e,
desprezado, orou aos deuses por vingança, sendo atendido por Nêmesis
- a deusa que arruina os orgulhosos -
que decidiu fazer com que o belo moço sofresse daquele mesmo desprezo
com que aos outros tratava: f
ê-lo cair de amores por seu próprio reflexo.
Sem poder jamais ser correspondido pela imagem, morre de desgosto,
indo para o País de Hades, a terra dos criminosos,
onde passa a eternidade atormentado pela visão do próprio reflexo nas águas do rio Estige.

Segundo outras fontes,
Eco era uma ninfa que tinha maravilhosos dons de canto e dança,
que desprezava os amores de qualquer homem.
O deus Pan dela se enamora, mas obtém-lhe apenas o desdém.
Tolhido em sua lascívia, Pan se enfurece, ordenando aos seus seguidores que a matem.
Eco foi então estripada, e seus pedaços espalhados por toda a Terra.

A deusa da Terra, Gaia, incorporou os pedaços da ninfa,
com os restos de sua voz, que repetem as últimas palavras que os outros dizem.

Nalgumas variantes dessa versão, Eco e Pan chegaram a ter um filho, chamado Iambe