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domingo, 15 de fevereiro de 2009

A lenda das Amazonas no Brasil


Em torno de 400 a 600 anos atrás, existiu na região Amazônica, próximo às cabeceiras do rio Jamundá, um reino formado somente de mulheres guerreiras, conhecidas como Icamiabas, isto é, mulheres sem homens ou ainda mulheres sem maridos e, uma terceira interpretação, mulheres escondidas dos homens.. Mas há outra designação, também encontrada no rico folclore sobre elas, que as chama de Cunhã-teco-ima, o que quer dizer mulheres à margem da lei ou sem lei.

Elas viviam completamente isoladas, só mantendo contatos esporádicos com homens.

Em certas épocas do ano estas mulheres belas e guerreiras celebravam suas vitórias sobre o sexo oposto. Neste dia, uma grande festividade era organizada e elas desciam do monte onde viviam até o lago sagrado denominado "Yaci Uarua" (Espelho da Lua).

Durante à noite, quando a Lua deitava sobre o espelho da água, as Amazonas mergulhavam nela com seus corpos fortes e morenos. Após este ritual de purificação e limpeza, estas deusas da Lua clamavam pela Mãe do Muiraquitã. Os estudiosos folcloristas identificaram esta entidade como uma fada, mas ela também cabe na classificação de Grande Mãe das Pedras Verdes. Era ela que entregava a cada uma daquelas mulheres uma pedra da cor verde (jade), denominada de "Muiraquitã", onde encontravam-se esculpidos estranhos símbolos. Receberiam-nos ainda moles, porém, logo que saíam da água eles endureciam. Segundo os índios Uaboí, os amuletos eram vivos e para apanhá-los, as índias feriam-se e deixavam cair uma gota de sangue sobre o tipo que queriam. Isso feito, o animal morria e elas se atiravam na água para buscá-los.

Cada nativa trazia em seu pescoço seu talismã propiciatório de proteção material e espiritual. Mas elas também os presenteavam àqueles que seriam os futuros pais de seus filhos. Estes homens eram selecionados para fecundá-las e depois eram mantidas vivas as meninas, que mantinham a continuidade da casta matriarcal das mulheres guerreiras.

As Amazonas foram vistas pela primeira vez pelo padre espanhol Gaspar de Carvajal, cronista da expedição de Francisco de Orellana. Tal encontro ocorreu no lugar exato onde o rio Negro encontra-se com o Amazonas e não foi muito atraente a estada para estes exploradores. Ao chegarem a aldeia das índias, constataram que no centro de uma praça erigia-se um ídolo, que era o símbolo de uma poderosa Senhora, Rainha de uma grande nação de mulheres guerreiras. Uma dúzia de guerreiras investiram contra os espanhóis e tiraram a vida de vários indígenas que os acompanhavam. Carvajal as descrevia como sendo mulheres altas, belas, fortes, de longos cabelos negros, tez clara e que andavam totalmente despidas, com arcos e flechas e guerreavam como dez índios.

Esta descrição nos remete à um coração de uma caçadora também solitária, Ártemis. Estas mulheres índias representam o arquétipo mais puro e primitivo da feminilidade. Foram deusas nativas que santificavam a solidão, a vida natural e primitiva a qual todos nós podemos retornar quando acharmos necessário a busca de nós mesmos. Como Ártemis, elas possuem um amor intenso pela liberdade, pela independência e pela autonomia. Um amor que pode transparecer como agressão, pois elas sempre irão lutar para preservar sua liberdade.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Iara


Há entre os índios a lenda do Jaguarari, índio forte e guerreiro da tribo Tuxaua que apaixonou-se pela Iara. Na tribo não havia ninguém mais forte e de bom coração do que Jaguarari. Todos o admiravam, tanto os homens, quanto as mulheres. Até que um dia, quando Jaguarari saiu em sua igara para pescar avistou uma bela morena nua a se banhar e cantar na margem do rio, na sombra de um Tarumã. Jaguarari ficou paralisado e de pronto se apaixonou.

Desde então, saia para caçar ou pescar, mas sua única intenção era mesmo encontrar a Iara. Voltava tarde da noite da pescaria sempre triste. Nem parecia mais o belo índio de antes de visão. Sua mãe perguntava, o pai aconselhava, mas nada de Jaguarari voltar a ser como era antes.

Até que um dia, de tanto a mãe insistir em saber o motivo de sua tristeza, Jaguarari confessou estar apaixonado pela visão que tivera aos pés do Tarumã. Disse que à noite quando tentava dormir, a única coisa que ouvia era o inebriante canto da Iara.

Ao ouvir a revelação, a mãe desesperou-se! Jogou-se aos pés do filho e pediu-lhe chorando que nunca mais voltasse lá.
Mas a promessa nunca pôde ser cumprida, pois Jaguarari já estava enfeitiçado. Numa noite de luar, ela cantou tão forte que o belo índio levantou-se e correu para a margem do rio. As águas então se abriram e desde então Jaguarari desapareceu

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

JANAÍNA E JACI


Em uma aldeia de Chiricahua, reinava a paz e a harmonia. Ali os índios viviam em perfeita união. Trabalhavam, plantavam, pescavam e tudo para eles era motivo de festa; seguiam a risco às suas leis.

Suas índias quando nasciam já eram prometidas ao filho mais velho de cada chefe de família. E assim, quando cresciam sua sorte já estava traçada e nada poderiam fazer. Cresciam com naturalidade e casavam-se muito cedo, aos 15 anos.

Em uma manhã ensolarada, céu de nuvens muito azuis, nasceu Janaína; Uma linda indiazinha. Para ela seu destino estava traçado, teria que se casar com Ubiraci o filho mais velho do pajé.

Janaína foi crescendo juntamente com um menino de sua idade. Eles eram inseparáveis, sempre juntos a brincar. O nome dele era Jaci, um indiozinho bastante esperto e valente.

Passados alguns anos...

Pela manhã, logo cedinho, Janaína ouviu chamar seu nome:

_ Janaína, Janaína, venha!

Janaína saiu de sua tenda e encontrou Jaci a sua porta, todo alegre e sorridente!

_ O que foi Jaci? Por que toda esta alegria?

_ Venha, Janaína! Quero mostrar-lhe algo!

_ O que é? Diga-me logo?

_ Não, venha, ver! Esperei muito por este momento!

SAÍRAM ENTÃO OS DOIS CORRENDO E FORAM ATÉ ÁS MARGENS DE UM LAGO.


Lá, Janaína muito curiosa, disse:

_ Vamos logo com isto, diga-me por que me trouxe aqui?

Jaci, com os olhos cheios de ternura, a pegou em sua mão, levou-a até uma bela árvore e lá estava, o seu tesouro!

Ali crescia com uma cor magnífica um lindo pé de Manacá!

_ Janaína, aqui está o meu tesouro!

_ Plantei para você e cuidei dela até que ela se tornasse uma árvore, tão formosa como você.

_ Hoje, ela floriu e está toda perfumada!

_ Respira fundo! Sinta o seu perfume!

_ Que linda! Obrigada, Jaci! Por que me fizeste segredo, nunca me contou sobre ela?

_ Porque queria lhe fazer uma surpresa e jurei a mim mesmo que quando ela florescesse, eu abriria meu coração a você.

_ O que você quer dizer com isto, Jaci?

_ Janaína, estamos já nos tornando um homem e uma mulher e todos estes anos, sentia crescer em mim um amor muito grande, um amor infinito. Não a via como uma irmã, eu a via como esta linda flor de manacá em meu coração.

Assustada, Janaína escondeu o seu rosto com suas mãos e começou a chorar. Jaci ficou surpreso, não esperava por esta reação.

_ O que foi Janaína, você não gostou? O que fiz de errado, diga-me, por que choras assim? Eu a magoei?

Janaína entre soluços e com seus olhos encharcados de lágrimas respondeu:

_ Não Jaci, não é isto! Você não me magoou e sim me fez muito feliz. Meu coração também se enche de alegria por você. Não o vejo como meu amigo e sim como o homem que dei o meu coração, mas tudo isto é uma loucura, não podemos, você se esqueceu do Ubiraci que sou sua prometida!

_ Não, não me esqueci! Todos estes anos venho sofrendo, coração torturado, com medo de que você não correspondesse ao meu amor e se casasse com Ubiraci.

_ Como o odeio!

_ Não fale assim Jaci, Ubiraci também não tem culpa. Nossos pais assim o quiseram e são assim as nossas leis.

Jaci então, tomou-a em seus braços e com um longo e apaixonado beijo se uniram. Seus corpos se entrelaçaram e na relva verde e sombria se deitaram.

Quando deram por si, a noite já havia caído e Janaína em desespero pôs-se a correr.

Jaci a seguiu até a aldeia.

Passado-se alguns dias comemorava-se o aniversário de Janaína, os seus 15 anos.

Ubiraci todo garboso esperava por sua prometida. Quantos anos de espera!

A aldeia estava em festa. Os homens dançavam ao redor de uma fogueira, com seus gritos e adornos. As mulheres preparavam a comida.

O pajé rogava aos deuses chuvas de bênção.

Janaína já vestida conforme a tradição encontrava-se com o coração aflito e com seus olhos marejados de lágrimas.

Jaci a contemplava com o coração em pranto. O que fazer? Sua amada estava prestes a casar-se e jamais a teria. " Que loucura meu Deus! Nada se podia fazer! Ela jamais seria minha! Mas de Ubiraci também não seria! Eu Juro!"- pensava Jaci.

O Pajé fez um sinal com a mão. E todos se calaram.

É chegado o momento tão esperado.

Ubiraci postou-se ao lado de seu pai e procurou com os olhos a sua amada.

"Onde estaria ela? Por que não estava no lugar que deveria estar"? Começou então a procura de Janaína. Não encontrou-a em nenhum lugar da aldeia.

Jaci havia desaparecido também. Passaram à noite toda a procura dos dois.

Pelo amanhecer, Ubiraci e seu amigo Tupi encontraram-se nas margens do lado. E qual foi a surpresa e a dor em seu coração. Parecia que um punhal havia-lhe atravessado o peito. Embaixo do pé de Manacá, encontrava-se o corpo do seu amor abraçado ao de Jaci.

_Oh! Meu amigo! Que tristeza! Perdi o meu amor para sempre!

Janaína, Jaci e seu Manacá estavam paralisados. Seus corpos estavam sem vida, como também aquela bela árvore. Haviam virado estátuas.

Tupi muito assustado com o que via disse:

_ Ubiraci, o que está acontecendo?

Ubiraci com lágrimas nos olhos e engasgado pela emoção, não pode responder.

E lá, bem no alto, no meio das nuvens, num céu muito azul, dois anjos felizes volavam, volavam e estavam tão enamorados que não perceberam que estavam voando e que haviam virado serafins. Eram Janaína e Jaci.

As fadas Cairé(lua cheia)e Catiti(lua nova), as deusas indígenas do amor, com suas varinhas mágicas, transformaram os seus corpos em estátuas e suas almas em anjos, tudo em nome do amor, para que eles pudessem vivê-lo em paz.

Assim Janaína e Jaci foram felizes e de uma lágrima que caiu dos olhos de Janaína, nasceu um outro lindo pé de Manacá!

A Vitótia Régia



Conta a lenda que uma bela índia chamada Naiá apaixonou-se por Jaci (a Lua), que brilhava no céu a iluminar as noites. Nos contos dos pajés e caciques, Jaci de quando em quando descia à Terra para buscar alguma virgem e transformá-la em estrela do céu para lhe fazer companhia. Naiá, ouvindo aquilo, quis também virar estrela para brilhar ao lado de Jaci.

Durante o dia, bravos guerreiros tentavam cortejar Naiá, mas era tudo em vão, pois ela recusava todos os convites de casamento. E mal podia esperar a noite chegar quando saia para admirar Jaci, que parecia ignorar a pobre Naiá. Esperava sua subida e descida no horizonte e já quase de manhãzinha saia correndo em sentido oposto ao Sol para tentar alcançar a Lua. Corria e corria até cair de cansaço no meio da mata. Noite após noite, a tentativa de Naiá se repetia. Até que adoeceu. De tanto ser ignorada por Jaci, a moça começou a definhar.
Mesmo doente, não havia uma noite que não fugisse para ir em busca da Lua. Numa dessas vezes, a índia caiu cansada à beira de um igarapé. Quando acordou, teve um susto e quase não acreditou: o reflexo da Lua nas águas claras do igarapé a fizeram exultar de felicidade! Finalmente estava ali, bem próxima de suas mãos. Naiá não teve dúvidas: mergulhou nas águas profundas, mas acabou se afogando.

Jaci, vendo o sacrifício da índia, resolveu transformá-la numa estrela incomum. O destino de Naiá não estava no céu, mas nas águas a refletir o clarão do luar. Naiá virou a Vitória Régia, a grande flor amazônica de águas calmas que só abre suas pétalas ao luar.